| CREDO APOSTÓLICO
Creio em Deus Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra;
E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido
por obra do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder
de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades,
ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu e está sentado à
direita de Deus Pai Todo-poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos
e os mortos.
Creio no Espírito Santo, na santa igreja católica, na comunhão
dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do
corpo, na vida eterna. Amém.
O Credo Niceno*
ORIGEM
O Credo Niceno deriva-se do credo de Nicéia (composto pelo Concílio
de Nicéia (325 AD), com pequenas modificações efetuadas
pelo Concílio de Calcedônia (451 AD) e pelo Concílio de
Toledo (Espanha, 589 AD). Este credo expressa mais precisamente a doutrina da
Trindade, contra o arianismo.[1] Eis o texto do Credo de Nicéia, conforme
aceito por católicos e protestantes:
TEXTO
Creio em um Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de
todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um Senhor Jesus Cristo,
o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos,
Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não
feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas
foram feitas; o qual por nós homens e por nossa salvação,
desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem
Maria, e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio
Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou conforme
as Escrituras; e subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai,
e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos,
e seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e
Vivificador, que procede do Pai e do Filho[2], que com o Pai e o Filho conjuntamente
é adorado e glorificado, que falou através dos profetas. Creio
na Igreja una, universal e apostólica, reconheço um só
batismo para remissão dos pecados; e aguardo a ressurreição
dos mortos e da vida do mundo vindouro.[3]
NOTAS
* Extraído de Paulo Anglada, Sola Scriptura: A Doutrina Reformada das
Escrituras (São Paulo: Os Puritanos, 1998), 179-80.
[1] Doutrina de Ario (primeira metade do século IV), segundo a qual
Cristo não é eterno, mas o primeiro e mais perfeito ser criado.
[2] Esta frase (tradução do termo latino filioque) foi adicionada
pelo Concílio de Toledo (da igreja ocidental).
[3] Traduzido de Schaff, Creeds of Christendom, 25-29. citado por A. A. Hodge,
Outlines of Theology, (Edinburgh, & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust,
1991), 116-117 e Epifânio, Ancoratus c. 374 AD, 118 (citado por Henry
Bettenson, Documentos da Igreja Cristã, 56).
Biblioteca Reformada
ARPAV
O Credo de Atanásio*
ORIGEM
O Credo de Atanásio, subscrito pelos três principais ramos da
Igreja Cristã, é geralmente atribuído a Atanásio,
Bispo de Alexandria (século IV), mas estudiosos do assunto conferem a
ele data posterior (século V). Sua forma final teria sido alcançada
apenas no século VIII. O texto grego mais antigo deste credo provém
de um sermão de Cesário, no início do século VI.
O credo de Atanasio, com quarenta artigos, é um tanto longo para um
credo, mas é considerado um majestoso e único monumento
da fé imutável de toda a igreja quanto aos grandes mistérios
da divindade, da Trindade de pessoas em um só Deus e da dualidade de
naturezas de um único Cristo.[1]
TEXTO
1. Todo aquele que quiser ser salvo, é necessário acima de tudo,
que sustente a fé universal.[2] 2. A qual, a menos que cada um preserve
perfeita e inviolável, certamente perecerá para sempre. 3. Mas
a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade,
e a Trindade em unidade. 4. Não confundindo as pessoas, nem dividindo
a substância. 5. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é
outra, e a do Espírito Santo outra. 6. Mas no Pai, no Filho e no Espírito
Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade.
7. O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo.
8. O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito
Santo é não criado. 9. O Pai é ilimitado, o Filho é
ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado. 10. O Pai é eterno,
o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. 11. Contudo,
não há três eternos, mas um eterno. 12. Portanto não
há três (seres) não criados, nem três ilimitados,
mas um não criado e um ilimitado. 13. Do mesmo modo, o Pai é onipotente,
o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente. 14.
Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
15. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo
é Deus. 16. Contudo, não há três Deuses, mas um só
Deus. 17. Portanto o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito
Santo é Senhor. 18. Contudo, não há três Senhores,
mas um só Senhor. 19. Porque, assim como compelidos pela verdade cristã
a confessar cada pessoa separadamente como Deus e Senhor; assim também
somos proibidos pela religião universal de dizer que há três
Deuses ou Senhores. 20. O Pai não foi feito de ninguém, nem criado,
nem gerado. 21. O Filho procede do Pai somente, nem feito, nem criado, mas gerado.
22. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não feito, nem
criado, nem gerado, mas procedente. 23. Portanto, há um só Pai,
não três Pais, um Filho, não três Filhos, um Espírito
Santo, não três Espíritos Santos. 24. E nessa Trindade nenhum
é primeiro ou último, nenhum é maior ou menor. 25. Mas
todas as três pessoas co-eternas são co-iguais entre si; de modo
que em tudo o que foi dito acima, tanto a unidade em trindade, como a trindade
em unidade deve ser cultuada. 26. Logo, todo aquele que quiser ser salvo deve
pensar desse modo com relação à Trindade. 27. Mas também
é necessário para a salvação eterna, que se creia
fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo. 28. É,
portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo é tanto Deus como homem. 29. Ele é Deus
eternamente gerado da substância do Pai; homem nascido no tempo da substância
da sua mãe. 30. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma
racional e carne humana. 31. Igual ao Pai com relação à
sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade.
32. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois mas um só
Cristo. 33. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne,
mas por sua divindade haver assumido sua humanidade. 34. Um, não, de
modo algum, pela confusão de substância, mas pela unidade de pessoa.
35. Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só homem,
assim Deus e homem constituem um só Cristo. 36. O qual sofreu por nossa
salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro
dia. 37. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente,
de onde virá para julgar os vivos e os mortos. 38. Em cuja vinda, todo
homem ressuscitará com seus corpos, e prestarão conta de sua obras.
39. E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna; aqueles
que houverem feito o mal, para o fogo eterno. 40. Esta é a fé
Universal, a qual a não ser que um homem creia firmemente nela, não
pode ser salvo.[3]
NOTAS
* Extraído de Paulo Anglada, Sola Scriptura: A Doutrina Reformada das
Escrituras (São Paulo: Os Puritanos, 1998), 180-82.
[1] A. A. Hodge, The Confession of Faith (Edinburgh & Pennsylvania: The
Banner of Truth Trust, 1992), 7.
[2] O termo universal traduz a palavra católica, a qual também
poderia ser traduzida por geral.
[3] Traduzido a partir do inglês de A. A. Hodge, Outlines of Theology
(Edinburgh, & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1991), 117-118.
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